Samuel Salcedo nasceu em Barcelona em 1975, cidade onde vive e trabalha. Já expôs sua obra na Alemanha, Moscou, Istambul e vai ganhando o mundo... Suas esculturas se caracterizam por uma excelência técnica e o domínio dos diversos materiais com que trabalha (resina, madeira, alumnio) e onde integra a pintura, com a qual começou. Suas esculturas e seus personagens são inquietantes, carregados de uma ironia sutil e parecem interrogar o espectador. Pode-se olhar as esculturas de Samuel Salcedo pensando no que Van Gogh disse: “Meu grande desejo é aprender a fazer deformações, ou inexatidões e mutações do verdadeiro; meu desejo é que venham à tona também as mentiras que sejam mais verdadeiras que a verdade literal”. Muito próxima do teatro a obra de Salcedo me encanta, por isto passa a integrar o blog a partir de hoje. ___________________________________________________

Diálogo entre pai revolucionário dos anos 60 e filho alienado dos anos 80.    

MANGUARI- ...Não posso mais, não posso mais viver com uma pessoa que me olha como se eu estivesse morto! Como se todas as pessoas que estão aí fora gemendo no mundo fossem a mesma coisa! Como se não houvesse dois lados! Isso é o que eu aprendi quando tinha sua idade. Que existem dois lados. E eu sempre estive ao lado dos que tem sede de justiça, menino! Eu sou um revolucionário, entendeu? Só porque uso terno e gravata e ando no ônibus 415 não posso ser revolucionário? Sou um homem comum, isso é outra coisa, mas até hoje ferve meu sangue quando vejo do ônibus as crianças na favela, no meio do lixo, como porcos, até hoje choro, choro quando vejo cinco operários sentados na calçada, comendo marmitas frias, choro quando vejo vigia de obras aos domingos, sentado, rádio de pilha no ouvido, a imensa solidão dessa gente, a imensa injustiça. Revolução sou eu! Revolução pra mim já foi uma coisa pirotécnica, agora é todo dia, lá no mundo, ardendo, usando as palavras, os gestos, os costumes, a esperança desse mundo, você não é o revolucionário, menino, o revolucionário sou eu, você, no meu tempo, chamava-se Lorde Bundinha que nunca negou que era um fugitivo, você é um covardezinho que quer fazer do medo de viver, um espetáculo de coragem!

LUCA- Eu já lhe disse, você é que pensa que é revolucionário, é a doce imagem que você faz de você, pai, mas você é um funcionário público, você trabalha pro governo! Para o governo! Anda de ônibus 415 com dinheiro trocado para não brigar com o cobrador e que de noite fica na janela, vendo uma senhora de peruca tirar a roupa e ficar nua! (Manguari dá um tapa na cara de Luca, avança para ele, Nena se interpõe, ficam embolados) _________________________________________________________

Mais uma bela obra do catalão Samuel Salcedo

Pensa bem: Há certas imagens que são bonitas porque são. Pronto...cabou.

10
NOV

Músicos de rua em Amsterdam/Holanda. Uma foto, pra mim, comovente.

09
NOV

Um espetáculo do coreógrafo japonês USHIO AMAGATSU impregnado de beleza e conteúdo

ushio amagatsu from Vincent Barthélemy on Vimeo.

Gosto de ler livros depois que eles saem da midia, deixam de ser notícia e sobrevivem nas estantes. Gosto de ler as biografias de Ruy Castro pelo rigor com que pesquisa seu biografado e o prazer com que escreve sobre.            Pelo jeito não estou sozinho nisso. Leia o que escreveu sobre um de seus mais brilhantes livros em que a personagem principal é a nossa Carmen Miranda. Texto de 2006 de uma jornalista que admiro:       

"CARMEN", o livro, é uma felicidade. Escorado numa pesquisa monumental, Ruy Castro criou um retrato vivo, divertido e minucioso, não só de Carmen Miranda, mas de toda a sua época; ele nos leva de um balcão de chapelaria na Rua do Ouvidor a Hollywood dos anos dourados, passando pelo Cassino da Urca e pelos bastidores da Broadway - e nem nos damos conta de que, em dois tempos, devoramos quase 600 páginas.

O que fica claro, terminada a leitura, é que nunca houve uma mulher como Carmen; e que nunca mais conseguiremos vê-la apenas como um exótico produto enlatado, depois de ler o livro. 

Escreveu a jornalista Cora Rónai

A night in rio from DJ LE CLOWN on Vimeo.

A pintura do Francis Bacon, bizarra, grotesca, inquietante é parte importante das minhas preferências artísticas há décadas. Me empenhei muito nos anos 90 pra ir a Madri ver uma exposição dele, talvez das últimas em que ele se fez presente. Era arredio, dizia que sua pintura expressava sua opinião sobre o mundo e pronto: nada mais a falar. Não sei se é privilégio ou pavor, mas quase todos os meus pesadelos se parecem com as situações e as personagens que ele pintou. Como este blog é pra compartilhar com os que o acessam a arte que gosto achei que o Francis Bacon era perfeito. E ele está aqui em apenas duas de suas genialidade misteriosas. A obra dele pode ser encontrada quase completamente na internet...se você gostar. Pra mim é impensável alguém não gostar de Francis Bacon. Mas....

09
NOV

Pesadelo artístico

09
NOV

Quando fui menino muitos santinhos de Primeira Comunhão eram assim. Ainda se faz Primeira Comunhão?

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