É impossível imaginar um sitiozinho que seja sem o alarido estridente que elas fazem, as galinhas d`Angola, imponentes, independentes, elegantes, delicadas, capazes de sobreviver sem o milho servido pelo homem; chocando seus filhotes nos grandes cerrados sem a ajuda dele, aparecendo repentinamente com dezenas de pintinhos frágeis e ágeis que encantam a todos.

Amo seu canto “tô fraco, tô fraco”, onomatopeia inventada pelos homens e admiro sua imponência feminina (esta da foto é uma fêmea e só elas cantam). Mas o que é mais surpreendente nestas aves vindas do continente africano é que elas nunca se deixam domesticar completamente, preservam seu estado silvestre e selvagem mesmo vivendo próximo aos homens nas fazendas. Parecem saber que porque vieram da África correm mais riscos de serem aprisionadas e subjugadas como seus parentes negros trazidos do mesmo Continente. Aceitam desconfiadas a convivência com os homens e se recolhem à noitinha para altos galhos de árvores das portas das casas. 

Acordam antes do sol raiar e parecem decididas a despertar suavemente a fazenda inteira com seus  ruídos baixinhos que convidam a todos para apreciarem a hora mais sublime do dia: o amanhecer. Mas nunca invadem a prioridades dos galos de acordar a todos com suas notas maviosas.

Sempre quis ter muitas ao meu redor – nunca tive nenhuma.

Mas esta da foto é minha por direito da imaginação.

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