Os livros de muitos escritores portugueses ocupam minhas estantes. Três especialmente: o José Saramago, Miguel Torga e mais recentemente Valter Hugo Mãe de quem li apenas dois livros: “A Máquina de fazer espanhóis” e “O Filho de Mil Homens”, geniais ambos e há outros na fila. Valter Hugo Mãe tem pouco mais de 40 anos e é também artista plástico, cantor, apresentador de televisão em Portugal. Nasceu em Angola em 1971. O próximo livro que vou ler se chama“O Remorso de Baltazar Serapião” que ganhou o Prêmio Literário José Saramago que disse dele: “É um tsunami literário. Por vezes tive a sensação de assistir um novo parto da Língua portuguesa”.

Pra quem é devorador de livros como eu esta declaração de Saramago é um aval mais que suficiente pra animar qualquer leitor a conhecer esse escritor admirável. Tô escrevendo uma adaptação de um livro dele para o teatro e me perco enredado em parágrafos belos como esses abaixo:

 

O velho Alfredo pensava secretamente que os filhos podiam ser só uma vingança contra o peremptório da morte. Como uma revolta contra o apagamento absoluto. Como se fosse de acreditar que através das crianças que se criavam se podia perdurar ainda. Mas as vinganças contra a morte, como contra o tempo, pareciam todas utopias ingênuas.”

 

Ou este:

 

O Camilo estendeu a mão à pequena mesa ao pé do sofá e agarrou o livro que ali estava. No escuro seria impossível reconhecer as palavras.

Lembrou-se, no entanto, de o haver pousado ali. Lembrou-se do título, do autor, lembrou-se do que lhe dissera o avô: um livro cura o câncer. Gostaria de acreditar que pudesse curar a morte. O livro, mesmo no escuro e mesmo assim fechado, fez-lhe companhia.”

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